O Brasil está vivendo um mal que parece estar longe de ser exterminado: a corrupção. E ela parece que esta irraizada na cultura política do país. Depois do escândalo do mensalão, onde vários partidos aliados do governo se envolveram em um suposto esquema de pagamentos mensais a deputados no valor de R$ 30 mil em troca de apoio a projetos do executivo, agora é a vez das instituições partidária que faz oposição ao governo entrar no esquema. Ou seja, aquelas agremiações que mais criticaram o desvio de conduta de alguns políticos do governo, hoje seus representantes se encontram agindo da mesma forma.
Esse é o caso do governador do Distrito Federal, Roberto Arruda do partido Democrata que está sendo acusado de participação de esquema de pagamento de propina a parlamentares aliados. A diferença é que, ao contrario de outros escândalos, há diversas imagens gravadas e veiculadas na TV que mostram o governador recebendo maços de dinheiro, assim como deputados distritais e também o empresário Alcir Collaço, dono de um jornal respeitado na capital federal.
No rastro da corrupção vem outro político, agora integrante do PSDB que está no alvo do Supremo Tribunal Federal. O ex-governador Eduardo Azeredo está sendo acusado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, o então candidato ao governo mineiro é acusado de ter desviado R$ 3,5 milhões de três estatais para a sua reeleição em 1998.
O que mais revolta nestes dois casos é o uso do dinheiro público para interesse particular quando, na verdade, esses mesmos recursos poderiam ser usados para o custeio na construção de casas populares, escolas e hospitais, como também para a manutenção dos benefícios públicos.
Mas o problema em si não está propriamente nas instituições partidária e sim em seus membros. Se o cidadão se propuser a fazer uma pesquisa sobre as bases éticas dos partidos nacionais, observará que todos, em potencial, exigem dos seus integrantes uma boa conduta moral.
É o caso do PSDB que, de acordo com os pontos mais importantes do programa do partido, ressalta, entre outras propostas, o crescimento econômico sustentável com distribuição de rendas e reforma política que fortaleça os partidos, aproxima os eleitores de seus parlamentares e reduza/elimine as possibilidades de corrupção (grifo meu).
O DEM também recomenda aos seus integrantes uma conduta de acordo com os valores humanos. Em seu código de ética, o capítulo sete orienta explicitamente, através do artigo 31 incisos 14 e 15, o comportamento ideal de um político diante suas atividades. Eis as recomendações: “conduzir-se na vida pública e privada com rigorosa probidade, anteposto interesses públicos acima do particular” e “defender os interesses da família e da coletividade”.
O desvio de conduta daqueles que representam o povo no poder causa um grande prejuízo para o país. Uma imensa quantidade de dinheiro público desviado do país vai parar nas contas de políticos inescrupulosos que fazem o que estiver ao alcances deles para enriquecer ilicitamente e atender seus caprichos. Isso é o fundo do poço para a democracia.