sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os Excluídos

FONTE DA IMAGEM: GRUPO FOLHA
    As pessoas que apresentam deficiência, seja ela física ou mental, devem ser respeitadas em seus direitos. É que se espera de qualquer instituição que lida com público. No entanto, parece que essa regra do bom convívio está sendo esquecida em alguns órgãos de Bauru.
    A lei número 10.436 de 24 de abril de 2002 - norma estabelecida pelo governo federal-determina que todas as repartições públicas, incluindo escolas e hospitais, têm o dever de disponibilizar um intérprete habilitado no idioma gestual para auxiliar deficientes auditivos em suas reivindicações. Contudo, não é isso que reflete a realidade.
    Os principais órgãos federais do município- Fórum, Justiça do Trabalho e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS)- não estão cumprindo seu papel de inclusão. Nas duas primeiras repartições não se encontram profissionais capacitados para esse tipo de atendimento. Já no terceiro órgão citado, a profissional responsável pela prestação do serviço estava afastada, devendo retornar no próximo dia 10 de setembro. Até lá os deficientes auditivos terão muita dificuldade, uma vez que não foi colocado nenhum outro profissional que pudesse substituir a funcionária ausente.
    Na outra ponta do novelo estão aqueles profissionais destinados a ajudar os surdos, porém com pouca instrução no que se refere ao domínio do alfabeto da língua de sinais e sua habilitação para ser considerado intérprete. Essa defasagem gerou uma situação complicada para uma estudante de 19 anos portadora de deficiência auditiva que tenta tirar, pela primeira vez, a carteira de habilitação.
    Ao passar pela prova teórica, ela não teve como sanar algumas dúvidas sobre assuntos automotores, já que a intérprete direcionada pela Quinta Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) sabia apenas soletrar. as palavras.
    Muitos deficientes têm suas vidas limitadas se não tiverem, ao seu alcance, dispositivos que poderiam auxiliá-los dentro de seus afazeres e, assim, torná-los mais independentes. A Lingua Brasileira de Sinais (libra) é um deles. Milhares de portadores de deficiência auditiva dependem de tal recurso para se comunicar. Tirar tal direito dessa categoria é desrespeitar o princípio da boa convivência e, mais que isso, um ato de exclusão. A figura de um intérprete, nesse sentido, é mais que necessária.
    Mas também não adianta nada colocar à disposição servidores despreparados para essa função. Existem cursos de libras que preparam bem os profissionais para atender, de forma eficaz, os usuários. Uma opção é a Secretaria Municipal de Saúde. O órgão oferece, em parceria com o Centrinho, cursos de capacitação a funcionários da rede pública. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Situação Difícil

    Numa relação entre patrão e empregados, quando os funcionários se deparam por uma situação que caracteriza  péssimas condições de trabalho ou estes não têm os salários valorizados de acordo com a categoria, o movimento grevista é visto como um instrumente contundente para a garantia de seus direitos.
    Porém, quando tal reivindicação atrapalha outros sistemas essenciais para o bem-estar da população, há de se pensar se realmente vale todo esse esforço se o resultado do protesto pode prejudicar um dos bens mais preciosos de uma pessoa: a saúde. Foi exatamente o que aconteceu nessa semana que passou, quando funcionários da Anvisa e da Receita Federal entraram em greve. Isso por que mais da metade dos materiais usados pelos laboratórios brasileiros são importados e precisam ser liberados pelos dois órgãos públicos. 
   Essa realidade trouxe como resultado o descarte de diversas bolsas de sangue nos hemocentros. A explicação é que, por causa da greve dos servidores das duas entidades responsáveis pela liberação de produtos importados, o material para a análise de sangue está parado no porto de Santos . Como consequência, os estoques estão com seus prazos de validade vencidos, sendo o destino deles a lata de lixo 
   Não bastasse esse imbróglio, o movimento atingiu também os laboratórios de análises clínicas que necessitam de reagentes usados para fazer exames (materiais importados que precisam ser liberados pela Anvisa e Receita Federal para entrar no país)   Com isso, muitos pacientes não conseguem realizá-los, uma vez que, por causa da greve, os kits para a realização do procedimento estão retidos na alfândega.  
    Criticada pela opinião pública, o Comando Nacional Grevista e a Diretoria Colegiada da Anvisa se reuniram na última sexta-feira (dia 24) para resolver tal situação. Ficou decidido que os servidores em greve que retornaram ao trabalho em decorrência de cumprimento judicial, terão que trabalhar em regime emergencial para liberar os materiais destinados aos tratamentos médicos.
    Essa tomada de ação pode ser salutar por um período. O ideal é que a greve tenha seu fim para normalizar, de maneira rápida, esse problema. Vidas humanas clamam por uma tomada de decisão mais eficaz.   

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O progresso e a linha férrea

       A malha férrea da região cento-oeste pede socorro. Os trilhos que traziam a prosperidade para cidades como Bauru, Botucatu e Avaí, hoje estão abandonados pelo esquecimento daqueles que deveriam zelar pelo bem público. O resultado de tudo isso são descarrilamentos frequentes de vagões com produtos necessários para a riqueza de uma nação, causando perigo para o meio ambiente e para habitações que são construídas às margens dos trilhos.
    O fato é que, depois que o trecho férreo foi terceirizado para a iniciativa privada em 1996, a estrutura desse modal se deteriorou. As belas locomotivas  tornaram-se imensas sucatas abandonadas em pátios e barracões localizados próximos aos trilhos. O mesmo destino teve alguns vagões que, no passado, ajudaram a trazer o progresso para as cidades.
     Foi nessa mesma época que a malha rodoviária deu um salto de modernidade. As estradas tornaram-se verdadeiros tapetes. Foram construídos postos de serviço para os usuários e pontos telefônicos foram instalados em trechos estratégicos da via para atender à necessidade dos motoristas. A população foi a principal beneficiária dessa transformação. Ironicamente as estradas paulistas, tal como a malha férrea, foram também privatizadas.
    O caminho do desenvolvimento de um país passa pela soma de três principais meios de transporte: rodo, hidro e ferroviário. Em relação aos dois primeiros modais citados, é visível a conservação estrutural. Já a malha férrea paulista que passa na região centro-oeste é uma vergonha. Os trilhos apresentam-se deteriorados, com seus dormentes podres. Nos trechos onde a malha corta a cidade, as passagens de níveis se apresentam sem cancelas e , muitas vezes, sem uma sinalização adequada indicativa.
    É preciso uma ação mais concreta daqueles que são responsáveis pela conservação da malha ferroviária. Afinal de contas, o progresso também pode vir pelos trilhos.