Numa relação entre patrão e empregados, quando os funcionários se deparam por uma situação que caracteriza péssimas condições de trabalho ou estes não têm os salários valorizados de acordo com a categoria, o movimento grevista é visto como um instrumente contundente para a garantia de seus direitos.
Porém, quando tal reivindicação atrapalha outros sistemas essenciais para o bem-estar da população, há de se pensar se realmente vale todo esse esforço se o resultado do protesto pode prejudicar um dos bens mais preciosos de uma pessoa: a saúde. Foi exatamente o que aconteceu nessa semana que passou, quando funcionários da Anvisa e da Receita Federal entraram em greve. Isso por que mais da metade dos materiais usados pelos laboratórios brasileiros são importados e precisam ser liberados pelos dois órgãos públicos.
Essa realidade trouxe como resultado o descarte de diversas bolsas de sangue nos hemocentros. A explicação é que, por causa da greve dos servidores das duas entidades responsáveis pela liberação de produtos importados, o material para a análise de sangue está parado no porto de Santos . Como consequência, os estoques estão com seus prazos de validade vencidos, sendo o destino deles a lata de lixo
Não bastasse esse imbróglio, o movimento atingiu também os laboratórios de análises clínicas que necessitam de reagentes usados para fazer exames (materiais importados que precisam ser liberados pela Anvisa e Receita Federal para entrar no país) Com isso, muitos pacientes não conseguem realizá-los, uma vez que, por causa da greve, os kits para a realização do procedimento estão retidos na alfândega.
Criticada pela opinião pública, o Comando Nacional Grevista e a Diretoria Colegiada da Anvisa se reuniram na última sexta-feira (dia 24) para resolver tal situação. Ficou decidido que os servidores em greve que retornaram ao trabalho em decorrência de cumprimento judicial, terão que trabalhar em regime emergencial para liberar os materiais destinados aos tratamentos médicos.
Essa tomada de ação pode ser salutar por um período. O ideal é que a greve tenha seu fim para normalizar, de maneira rápida, esse problema. Vidas humanas clamam por uma tomada de decisão mais eficaz.
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