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| FONTE DA IMAGEM: GRUPO FOLHA |
As pessoas que apresentam deficiência, seja ela física ou mental, devem ser respeitadas em seus direitos. É que se espera de qualquer instituição que lida com público. No entanto, parece que essa regra do bom convívio está sendo esquecida em alguns órgãos de Bauru.
A lei número 10.436 de 24 de abril de 2002 - norma estabelecida pelo governo federal-determina que todas as repartições públicas, incluindo escolas e hospitais, têm o dever de disponibilizar um intérprete habilitado no idioma gestual para auxiliar deficientes auditivos em suas reivindicações. Contudo, não é isso que reflete a realidade.
Os principais órgãos federais do município- Fórum, Justiça do Trabalho e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS)- não estão cumprindo seu papel de inclusão. Nas duas primeiras repartições não se encontram profissionais capacitados para esse tipo de atendimento. Já no terceiro órgão citado, a profissional responsável pela prestação do serviço estava afastada, devendo retornar no próximo dia 10 de setembro. Até lá os deficientes auditivos terão muita dificuldade, uma vez que não foi colocado nenhum outro profissional que pudesse substituir a funcionária ausente.
Na outra ponta do novelo estão aqueles profissionais destinados a ajudar os surdos, porém com pouca instrução no que se refere ao domínio do alfabeto da língua de sinais e sua habilitação para ser considerado intérprete. Essa defasagem gerou uma situação complicada para uma estudante de 19 anos portadora de deficiência auditiva que tenta tirar, pela primeira vez, a carteira de habilitação.
Ao passar pela prova teórica, ela não teve como sanar algumas dúvidas sobre assuntos automotores, já que a intérprete direcionada pela Quinta Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) sabia apenas soletrar. as palavras.
Muitos deficientes têm suas vidas limitadas se não tiverem, ao seu alcance, dispositivos que poderiam auxiliá-los dentro de seus afazeres e, assim, torná-los mais independentes. A Lingua Brasileira de Sinais (libra) é um deles. Milhares de portadores de deficiência auditiva dependem de tal recurso para se comunicar. Tirar tal direito dessa categoria é desrespeitar o princípio da boa convivência e, mais que isso, um ato de exclusão. A figura de um intérprete, nesse sentido, é mais que necessária.
Mas também não adianta nada colocar à disposição servidores despreparados para essa função. Existem cursos de libras que preparam bem os profissionais para atender, de forma eficaz, os usuários. Uma opção é a Secretaria Municipal de Saúde. O órgão oferece, em parceria com o Centrinho, cursos de capacitação a funcionários da rede pública.

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