sábado, 28 de abril de 2012

A estreita relação entre drogas e violência


Bauru está vivendo um drama que amedronta toda a sua população: o consumo excessivo de entorpecentes por alguns jovens e adultos e a relação dessa prática ilícita com roubos e assaltos cometidos pelos próprios dependentes. Os usuários costumam ficar  reunidos normalmente no centro da cidade, perto da linha férrea (esta localidade já está sendo chamada pelas autoridades como a cracolândia de Bauru), fazendo uso de drogas pesadas, sendo o crack a preferida entre eles. Como alucinados, eles andam como zumbis e, na fissura de consumir de forma contínua tais produtos ilícitos, atacam violentamente pessoas que moram ou transitam naquela região.
Um dado alarmante é que se esse problema está se espalhando por quase toda a extensão do centro da cidade que ficam próximas a via férrea, como as ruas localizadas perto do viaduto inacabado sobre a avenida Nuno de Assis.  Há alguns dias, moradores que mora na região do Bairro Bela Vista e que necessitam passar naquela localidade para voltar para suas residências têm vivido esse tormento. Eles relatam que quando anoitece usuários de drogas estariam assustando e roubando pessoas que trafegam a pé. Os reclamantes afirmam também que um dos acessos que liga o centro ao bairro é mal iluminado e repleto de mato alto em seu entorno. Um cenário perfeito para práticas de assaltos violentos. 
É realmente deplorável essa realidade. As cracolândias estão se espalhando de uma forma espantosa. Isso se deve pelo acesso fácil que se tem ao entorpecente que é vendido desde as bocas de fumo até as portas de escola.   
Mais que caso de polícia, essa problemática virou uma questão de saúde pública. Na capital de São Paulo, por exemplo, depois de a polícia ter feito uma “faxina” na região central de São Paulo expulsando os usuários de drogas daquela localidade, eles saíram andando a esmo, sem destino, tomadas pelo transe que a droga exerce no sistema nervoso. O resultado dessa ação foi mais paliativo. Dias depois, alguns dependentes voltaram para ruas centrais da capital e o drama ainda persiste.
 Encaminhar os usuários para clínicas de recuperação para dependentes químicos é o grande dilema para as administrações públicas. Em Bauru não é diferente. É preciso tomar uma iniciativa imediata para essa situação penosa.



terça-feira, 17 de abril de 2012

A decisão polêmica do STF

      Nesta última semana o STF (Supremo Tribunal Federal), através de uma votação entre seus principais magistrados, considerou favorável a interrupção de gestações de fetos anencéfalos. Na concepção do órgão judiciário, a antecipação do parto é possível nesses casos uma vez que, sob a luz deste argumento, tal forma de espécie é desprovido de cérebro e, por consequência, incompatível com a vida. Nesse sentido, não se trataria de um aborto juridicamente  proibido em lei. 
       Analisando humanamente esta polêmica questão,  pode-se dizer que é um grande avanço para o bem estar da sociedade como todo. Isso por que, segundo alguns especialistas, o tempo de sobrevida de fetos anencéfalos é muito curto (questão de horas ou dia). Além disso, a decisão favorecerá aquelas mães que são obrigadas a levar adiante uma gestação de alto risco. Um caminho doloroso e sofrível.
       Abro aqui, contudo, algumas considerações. O termo "incompatível com a vida" soa algo muito severo. Se consideramos que tais fetos nessas condições conseguem sobreviver pelo menos algumas horas ou dias, pode-se dizer que há, de uma certa maneira, um sopro de vida, mesmo que muito fraco. Na cidade de Bauru foi noticiado o caso de uma garota de apenas 21 anos que, em sua terceira gravidez, gerou um bebê anencéfalo. Foram quatro dias de sofrimento e esperança. A família esperava um milagre acontecer, mas infelizmente, esse episódio terminou com uma imensa tristeza para os pais.  
       Celebrar a vida é preciso. Ela é a coisa mais preciosa que temos. Contudo, desumano é deixar que um pequeno ser perca sua recém-preciosidade, causando sofrimento e dor para aqueles que não merecem passar por isso.   

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Relação Conflituosa

        Todo o feriado é a mesma aflição. Milhares de detentos são beneficiados com a já tradicional "saidinha temporária". Só na nossa região, 3,8 mil reeducandos já estão nas ruas. Destes, 170 vão ficar em Bauru. Pela regra, só poderiam gozar desse benefício  aqueles detentos que apresentam bom comportamento dentro do cárcere. Contudo, infelizmente, não é isso que está acontecendo.
         Nem precisa de estatística para observar que a criminalidade aumenta barbaramente nesse período. Já na manhã de ontem (05 de abril), um rapaz de 28 anos, que havia sido contemplado pelo projeto social, foi detido em flagrante pela Polícia Militar após furtar uma casa no Bairro Chácara das Flores, em Bauru.. O mais impressionante é que ele havia sido liberado há poucas horas na "saidinha" da Páscoa.
         Observa-se que há uma grande dificuldade das unidades prisionais em selecionar aqueles reeducandos realmente merecedores do tão esperado benefício. É fato que a personalidade de  alguns detentos confunde as autoridades, uma vez que, enquanto em reclusão eles apresentam um comportamento pacato e fora desse ambiente, uma postura mais agressiva e até violenta.
          Essa iniciativa a favor do encarcerado seria até louvável. Todo o ser humano preso deve ter o direito do convívio com seus familiares em época de celebração, seja qual for a data festiva. É uma forma de eles recomeçarem uma relação mais sadia com a sociedade. Porém, deve haver uma análise mais criteriosa daqueles que serão contemplados com esse benefício. Só assim, alcançaremos  tão desejada PAZ.