O profissional de jornalismo tem uma responsabilidade muito importante: informar a sociedade sobre os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Para tanto, ele usa algumas técnicas que o auxiliam nessa empreitada. Entre esses recursos, os que considero mais relevantes são a questão da noticiabilidade, ou seja, o valor notícia, e a agenda setting (quando um determinado tema tem prioridade de divulgação na grande imprensa), cada qual com sua importância.
No entanto, questões externas como pressões políticas, econômicas e sociais, em outras palavras, atividades de lobby, podem prejudicar, ou favorecer, o desenvolvimento do material jornalístico no que diz respeito à sua veracidade. Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre da internet, um dos objetivos da atividade de lobby é interferir diretamente nas decisões do poder público. Quase sempre, nessas situações, há duas hipóteses: ou prevalecem interesses particulares frente aos do cidadão, ou, em nome da transparência, se objetiva chegar a uma situação que possa apontar erros cometidos por pessoas públicas e, assim, lutar por uma sociedade menos corrupta.
É preciso fazer uma análise criteriosa sobre cada caso, mesmo porque, a honra e a dignidade do homem público está sendo colocada em cheque. Quando, no episódio da Máfia dos Cartéis nos governos do PSDB, um ex-diretor da empresa alemã Siemens acusou políticos da oposição de receber propina para favorecer a multinacional a ganhar contratos do Metro e da CPTM, os jornais não exitaram em publicar tais declarações. Figuras públicas como José Aníbal e Aluísio Nunes Pereira (ambos do PSDB), Arnaldo Jardim (PPS) e Rodrigo Garcia (DEM) tiveram seus nomes envolvidos nesse escândalo.
A pergunta é: será que tais figuras públicas são realmente culpados por esse episódio vergonhoso? Todos os fatos foram baseados em um documento enviando ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que, por sua vez, encaminhou o relato à Polícia Federal de São Paulo. Conclui-se que o órgão ainda está investigando a autenticidade da informação.
Por outro lado, os informativos deram espaço para a defesa dos acusados. Todos eles negam a participação no esquema. Mesmo assim, a imagem desses homens públicos já ficou manchada por essa suposta atividade ilícita
Se pensarmos que todo jornalista deva ser pesquisador incansável em busca da verdade do fato (entenda-se como verdade o argumento que mais se aproxima do fato relatado), era de se esperar que houvesse uma melhor apuração da denúncia por parte dos comunicadores em relação aos políticos envolvidos no caso. Contudo, tal episódio foi colocado na agenda setting como o valor notícia do momento. E aí surge a dúvida: em nome da audiência e de grupos de pressão, valeria a pena publicar informações que no futuro poderão ser apenas boatos? É o fantasma da Escola Base rondando a imprensa.
