quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A dor e o sofrimento em nome da ciência

 
FONTE DA IMAGEM: IDEIASEDICAS.COM
  Uma grande polêmica tomou conta do Brasil nessas últimas semanas sobre a utilização de animais de estimação em experimentos científicos. Revoltados com uma suposta denúncia de maus tratos contra cachorros da raça Beagle, praticados pelo Instituto Royal,  laboratório situado na cidade de São Roque, ativistas invadiram o órgão de pesquisa e resgataram os animais que eram mantidos como cobaias. Lá, encontraram um ambiente sujo com um odor forte e os cãezinhos muito agitados. Como resultado da ação, todos  os animais foram resgatados.
    A gerente do instituto, Silvia Ortiz, lamentou profundamente o ocorrido. Ressalta que foram perdidos dez anos de patrimônio genético e que pretende processar os ativistas.Quanto às sujeiras encontradas nas dependências do laboratório, Silvia afirmou que um dia antes da invasão, os funcionários do instituto foram proibidos de trabalhar e fazer a limpeza adequada do ambiente. A gerente disse também que, com a invasão dos manifestantes, os beagles ficaram estressados e começaram a .urinar e evacuar por todo o laboratório.
     O uso de animais como cobaias para experimentos científicos é comum em diversos países. Aqui no Brasil, o responsável por fiscalizar essa prática e estabelecer leis rígidas para tais procedimentos é o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
   Cabe ao órgão, também, autorizar futuras atividades envolvendo animais como cobaias. Segundo Marcelo Morales coordenador do Concea e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o uso de animais doméstico, em experimentos científicos, é imprescindível para comprovar, se determinada dose medicamentosa, não seria nociva a um organismo vivo. Uma vez realizados todos os testes com as cobaias, tais medicamentos podem ser destinados, com segurança, aos seres humanos.
  Outro defensor dos experimentos com animais é Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin) de São Paulo. Questionado se os modelos computacionais  poderiam substituir os testes em cobaias, ele foi categórico em dizer que nenhuma máquina conseguiria simular a complexidade de um organismo vivo.   
     É necessário ressaltar, contudo, que em outros animais, a consciência ( capacidade de perceber aquilo que passa dentro e fora de si) se iguala aos seres humanos, caso dos mamíferos. Nesse sentido, os cachorros desenvolvem uma habilidade de vivenciar emoções surpreendente. Para o neurocientista americano Gregory Berns, professor da Universidade Emory nos Estados Unidos, tal característica faz o cão possuir um nível de sensibilidade comparável ao de uma criança.
     Por outro lado, não há de se negar que, sem as experiências feitas em animais, um número considerável de medicamentos não teria sido desenvolvido e, consequentemente, salvado vidas humanas. Casos como a da cadelinha mestiça Marjorie, que se sacrificou por nós para os cientistas desenvolverem a insulina, que representa a possibilidade de uma vida praticamente normal para os diabéticos, nos faz repensar a importância de tais experimentos.
    Pensando na importância do avanço da ciência para o combate de diversas doenças e, ao mesmo tempo, no bem-estar dos bichinhos, foram elaboradas algumas regras para os procedimentos experimentais.. No Brasil, por exemplo, os experimentos só devem ser feitos com os animais sedados. Além disso, um ambiente saudável é criado para os cãezinhos, onde  eles recebem cuidados veterinários diariamente e espaço para recreação.
   

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Revolta Indígena

 
Brasília viveu dias tensos na semana passada. Tribos indígenas invadiram a capital federal protestando contra o que eles consideram uma afronta ao direito que eles possuem a  terras tradicionais. O motivo da revolta é a criação de uma comissão especial com o intuito de revisar e emitir um parecer sobre a  PEC-215.
     De acordo com a proposta, a responsabilidade em fazer a demarcações de terras indígenas seria do Congresso Nacional. Atualmente, compete à Fundação Nacional do Índio (Funai), ao Ministério da Justiça e à Presidência da República essa função. Os índios alegam que tal proposta favoreceria a bancada ruralista, uma vez que atenderia mais aos interesses da categoria. Algumas etnias mais revoltadas fizeram o enterro simbólico da ministra  da Casa Civil Gleisi Hoffmann, além de invadirem a sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
     É no mínimo intrigante essa situação. Dá margem a alguns questionamentos. Por que não deixar a responsabilidade das demarcações indígenas para a própria instituição que cuida do interesse desses povos? Qual é realmente o motivo dessa mudança? Sabemos que, nos últimos anos, a Funai está passando por um período transição em sua estrutura administrativa com o fechamento de algumas sedes do órgão . Contudo, isso não deve servir de pretexto para tirar do órgão federal tal obrigação.
      Enquanto esse problema não se resolve, indígenas se preparam para guerrear contra o governo. Com tal propósito, montaram uma imensa tenda onde esperam do governo uma resposta favorável. Alguns parlamentares vieram, em rede nacional, dar seu apoio à causa como o deputado Acelino Popó Freitas.
     O processo de demarcação é uma ação importante para a sobrevivência da cultura indígena. Além disso, é uma medida estratégica do governo no sentido de que, esses povos, uma vez detendo um profundo conhecimento sobre o ambiente em que vivem,  mantem preservadas a flora e a fauna  brasileira, além da manutenção de nascentes e rios.