terça-feira, 26 de novembro de 2013

Verdades e Boatos

   
 O profissional de jornalismo tem uma responsabilidade muito importante: informar a sociedade sobre os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Para tanto, ele usa algumas técnicas que o auxiliam nessa empreitada. Entre esses recursos, os que considero mais relevantes são a questão da noticiabilidade, ou seja, o valor notícia, e a agenda setting (quando um determinado tema tem prioridade de divulgação na grande imprensa), cada qual com sua importância.
     No entanto, questões externas como pressões políticas, econômicas e sociais, em outras palavras, atividades de lobby, podem prejudicar, ou favorecer, o desenvolvimento do material jornalístico no que diz respeito à sua  veracidade. Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre da internet, um dos objetivos da atividade de lobby é interferir diretamente nas decisões do poder público. Quase sempre, nessas situações, há duas hipóteses: ou prevalecem interesses particulares frente aos do cidadão, ou, em nome da transparência, se objetiva chegar a uma situação que possa apontar erros cometidos por pessoas públicas e, assim, lutar por uma sociedade menos corrupta.  
     É preciso fazer uma análise criteriosa sobre cada caso, mesmo porque, a honra e a dignidade do homem público está sendo colocada em cheque. Quando, no episódio da Máfia dos Cartéis nos governos do PSDB, um ex-diretor da empresa alemã Siemens acusou políticos da oposição de receber propina para favorecer a multinacional a ganhar contratos do Metro e da CPTM, os jornais não exitaram em publicar tais declarações. Figuras públicas como José Aníbal e Aluísio Nunes Pereira (ambos do PSDB), Arnaldo Jardim (PPS) e Rodrigo Garcia (DEM) tiveram seus nomes envolvidos nesse escândalo.
    A pergunta é: será que tais figuras públicas são realmente culpados por esse episódio vergonhoso? Todos os fatos foram baseados em um documento enviando ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que, por sua vez, encaminhou o relato à Polícia Federal de São Paulo. Conclui-se que o órgão ainda está investigando a autenticidade da informação. 
    Por outro lado, os informativos deram espaço para a defesa dos acusados. Todos eles negam a participação no esquema. Mesmo assim, a imagem desses homens públicos já ficou manchada por essa suposta atividade ilícita 
    Se pensarmos que todo jornalista deva ser pesquisador incansável em busca da verdade do fato (entenda-se como verdade o argumento que mais se aproxima do fato relatado), era de se esperar que houvesse uma melhor apuração da denúncia por parte dos comunicadores em relação aos políticos envolvidos no caso. Contudo, tal episódio foi colocado na agenda setting como o valor notícia do momento. E aí surge a dúvida: em nome da audiência e de grupos de pressão, valeria a pena publicar informações que no futuro poderão ser apenas boatos? É o fantasma da Escola Base rondando a imprensa.  
    

3 comentários:

  1. ex diretores da cbtm ligadas a politicos do psdb e aliados foram condenadas na suiça. investigue na internet e tire suas dúvidas. a folha, veja e globo querem proteger serra, alckmin e aecio. é questão de ideologia política meu irmão. são meios de comunicação de ideologia de direita.

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  2. LEITURAS DO ‘GLOBO’
    No Peru, governo NÃO ameaça a imprensa
    Por Alberto Dines em 07/01/2014 na edição 780
    Liberdade em risco: no Peru, governo ameaça imprensa. O presidente Ollanta Humala declarou que a união legal entre grupos de mídia pode vir a ser considerada ilegal. Juristas criticam a interferência do governo etc., etc., etc.

    Esta chamada foi publicada na primeira página do Globo, na segunda-feira (6/1). O texto da página interna não tem assinatura, mas tem procedência suspeita: foi enviado pelo diário El Comercio, o jornal conservador que está sendo acusado de montar um oligopólio de comunicação e negócios no Peru ao comprar o grupo Epensa.

    Se o jornalão carioca está efetivamente interessado em informar seus leitores com isenção não deveria basear-se apenas numa fonte e ainda mais uma fonte altamente suspeita, comprometida com um negócio que está preocupando não apenas o presidente Humala, mas também os setores mais responsáveis da imprensa peruana.

    Além de parte interessada, El Comercio – assim como O Globo – fazem parte de um pool fundado em 1991 composto por onze jornais conservadores da América Latina denominado Grupo de Diários de América (GDA).

    O Wall Street Journal também é conservador e sua edição em espanhol é produzida pelo mesmo El Comércio que, não obstante, não brinca em serviço: publicou na sexta-feira (3/1) um relato preciso e equilibrado sobre a situação da imprensa peruana (ver aqui o resumo em português).

    O WSJ não omitiu que o Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, suspendeu sua colaboração no El Comercio durante a campanha eleitoral de 2011 porque o jornal manipulava informações contra o candidato que apoiava, Ollanta Humala (afinal vitorioso). O jornal preferiu jogar descaradamente a favor de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado em quatro julgamentos (inclusive por violação de direitos humanos) e condenado a um total de 25 anos de prisão.

    Vargas Llosa transferiu imediatamente a sua coluna para o La República, de orientação progressista, hoje o mais veemente denunciador do oligopólio montado pelo concorrente de direita.

    Concorrência regulada

    A matéria do jornalão carioca (reproduzida aqui, no site da Abert), além de favorável à compra da Epensa, tenta colocar o presidente Humala na mesma linha bolivariana de Chávez-Maduro na Venezuela e os Kirchner, na Argentina. É uma grosseira mistificação política, já que Humala representa justamente as forças que se opõem ao populismo pseudoesquerdista e meio fascista de alguns caudilhos continentais.

    O oligopólio que se tenta implantar na imprensa peruana com o apoio irrestrito do GDA seria impraticável se o país tivesse um organismo de regulação da concorrência nos moldes do nosso Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), pelo qual o Grupo Globo tem o maior respeito.

    Nos Estados Unidos, pátria da livre iniciativa, a Federal Communications Commission (FCC), criada há exatos 80 anos por Franklin Roosevelt, não admite a propriedade cruzada e impõe uma série de entraves à formação de oligopólios nas comunicações.

    O presidente Ollanta Humala não ameaçou a imprensa peruana. Considerou legal a compra da Edensa. Mas admitiu que no futuro a operação poderá ser considerada lesiva.

    Está acenando com um CADE peruano. E certamente terá o pleno endosso do Globo.

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  3. o filósofo britânico Bertrand Russell (1872-1970), um dos guias intelectuais do DCM, criou 10 mandamentos que chamou de Um Decálogo Liberal.

    Eis algo que todos deveríamos carregar na mente todos os dias, sempre, como você poderá facilmente comprovar.

    1. Não tenha certeza absoluta de nada.

    2. Não considere que valha a pena esconder evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.

    3. Nunca tente desencorajar o pensamento alheio, pois com certeza você terá sucesso.

    4. Quando encontrar oposição, mesmo que seja de seu cônjuge ou de suas crianças, se esforce para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.

    5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades com opiniões contrárias à que você acata.

    6. Não use o poder para suprimir opiniões que considere perniciosas, pois se você agir assim as opiniões acabarão por suprimir você.

    7. Não tenha medo de opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.

    8. Encontre mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deveria, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.

    9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se você tentar escondê-la.

    10. Não tenha inveja da felicidade daqueles que vivem no paraíso dos tolos, pois apenas um tolo consideraria que aquilo é felicidade.

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