Nesta última semana o STF (Supremo Tribunal Federal), através de uma votação entre seus principais magistrados, considerou favorável a interrupção de gestações de fetos anencéfalos. Na concepção do órgão judiciário, a antecipação do parto é possível nesses casos uma vez que, sob a luz deste argumento, tal forma de espécie é desprovido de cérebro e, por consequência, incompatível com a vida. Nesse sentido, não se trataria de um aborto juridicamente proibido em lei.
Analisando humanamente esta polêmica questão, pode-se dizer que é um grande avanço para o bem estar da sociedade como todo. Isso por que, segundo alguns especialistas, o tempo de sobrevida de fetos anencéfalos é muito curto (questão de horas ou dia). Além disso, a decisão favorecerá aquelas mães que são obrigadas a levar adiante uma gestação de alto risco. Um caminho doloroso e sofrível.
Abro aqui, contudo, algumas considerações. O termo "incompatível com a vida" soa algo muito severo. Se consideramos que tais fetos nessas condições conseguem sobreviver pelo menos algumas horas ou dias, pode-se dizer que há, de uma certa maneira, um sopro de vida, mesmo que muito fraco. Na cidade de Bauru foi noticiado o caso de uma garota de apenas 21 anos que, em sua terceira gravidez, gerou um bebê anencéfalo. Foram quatro dias de sofrimento e esperança. A família esperava um milagre acontecer, mas infelizmente, esse episódio terminou com uma imensa tristeza para os pais.
Celebrar a vida é preciso. Ela é a coisa mais preciosa que temos. Contudo, desumano é deixar que um pequeno ser perca sua recém-preciosidade, causando sofrimento e dor para aqueles que não merecem passar por isso.
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