quarta-feira, 12 de setembro de 2012

DECISÃO DIFÍCIL

    No último dia 30 de agosto o Conselho Federal de Medicina (CFM) editou uma nova resolução: a de número1.995. De acordo com a decisão, o paciente tem o direito de interromper o tratamento de saúde se este considerar tal procedimento inútil para a sua melhora em caso de doenças terminais ou estados vegetativos. Nesse novo cenário, o enfermo, uma vez consciente de seus atos e, se for  de sua vontade, terá o direito de informar ao médico o tipo de procedimento letal que quer receber quando estiver inconsciente e sem chance de cura.
    Por mais doloroso que seja esse momento, é preciso calma e muita reflexão para decidir o que realmente é melhor para ambas as partes. De um lado, está o paciente sofrendo as dores decorrentes de sua doença e os possíveis efeitos colaterais de um tratamento. Do outro, uma família que dedicou sua vida inteira ao ente querido, dando a ele amor e carinho e que, agora, não admite a possibilidade de perdê-lo. O que realmente é importante nessa situação?
    É preciso deixar a emoção um pouco de lado e refletir à luz da razão. Seria necessário prolongar o sofrimento daqueles pacientes que realmente estão condenados? E daquelas pessoas que passam anos ou décadas em estado vegetativo em cima de um leito? A resposta para estas questões devem ser analisadas cuidadosamente, uma vez que cada caso é um caso. 
    Além disso, muitas coisas que pesam nessa decisão: o amor, a convivência, o carinho e o sentimento de posse. É uma vida que está sendo decidida. Pelos ensinamentos religiosos, só o Criador tem o poder de decidir a continuidade ou não de uma vida. As religiões dizem ainda que ninguém tem o direito de provocar a morte de seu semelhante. Nesse grupo estão incluídos familiares e  alguns profissionais da saúde.
   Por outro lado, deve prevalecer a vontade do paciente que decidiu, por si só, encurtar sua vida, observando que, nada mais pode fazer para encontrar a cura de seu mal. Talvez tal decisão seria um ponto final para tanto sofrimento para ambas as partes.
    Esse é, de fato, um dos assuntos mais polêmicos que existe em nosso país e que tem necessita, ainda, ser discutido mais profundamente entre todos os envolvidos: familiares, paciente e médico. O ideal é que a tomada de decisão seja benéfica para todos.
     .
        

Um comentário:

  1. Oi Helder, tudo bem com você?
    Já tentei por três vezes e não consegui mandar meu comentário. Hoje eu me cadastrei no Google para ver se consigo destravar. Tenho lido seus artigos e considero-os de suma importância tendo em vista, principalmente, a questão de serem atuais. Ajudam-nos a pensar e a refletir melhor sobre o que anda acontecendo no nosso país e no mundo.
    Parabéns e continue firme no seu projeto.
    Um abraço de seu amigo
    jcarlos

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